LIVRO ALERTA SOBRE CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA POR CEMITÉRIOS


A Publicação mostra como a negligência na operação de cemitérios pode oferecer risco à saúde pública e ao meio ambiente

É constante a preocupação com o futuro da água potável no mundo e muito se fala sobre a economia e a preservação das fontes e recursos hídricos, cada vez mais escassos na humanidade. Rios, lagos e nascentes são o foco das discussões sobre a conservação do meio ambiente. Mas há outra importante fonte ameaçada: o lençol freático, responsável por 95% da água consumida no planeta.A contaminação do solo por cemitérios existe mas é pouco abordada na mídia. Talvez por isso se arrasta ao longo de tanto tempo, prejudicando diretamente os que não dispõem de informação e, indiretamente, toda a população que sofre com a proliferação de doenças infecto-contagiosas.O risco aumenta com falta de políticas ambientais e cuidados sanitários em cemitérios públicos. No livro “Ameaça dos Mortos – Cemitérios põem em risco a qualidade das águas subterrâneas”, lançado em Jundiaí, os autores Fernanda Felicioni, Flavio F. A. Andrade e Nilza Bortolozzo, alertam para a negligência na operação, principalmente, de cemitérios públicos.A falta de higiene e condições sanitárias podem contribuir para a potencial contaminação do reservatório de águas subterrâneas, prejudicando a população de baixa renda que faz uso de poços clandestinos.A publicação traz fotos de cemitérios onde ossos humanos e roupas funerárias são facilmente encontrados na superfície do solo, num total desrespeito às famílias e ao meio ambiente. E exemplos de destinação ambientalmente responsável do cadáver humano, como uma pequena cidade do Paraná que se tornou o primeiro município brasileiro a adotar o sepultamento ecológico.

APRESENTAÇÃO

Falar da contaminação da água num mundo em que os recursos naturais foram ignorados e desprezados durante centenas de anos pode parecer assunto corriqueiro, mas não quando se fala na participação de cemitérios nesse processo.
Dificilmente alguém dá a devida atenção ao tema, talvez pelo fato de os cemitérios serem monumentos à memória daqueles que morreram e que os vivos fazem questão de perpetuar ao longo do tempo.
Este tipo de construção adquiriu a condição de inviolabilidade no que tange à pesquisa científica nos seus diferentes aspectos. Muitas vezes, a pesquisa ligada a este tema é vista com olhares de reprovação. Força-nos a lembrar de um lugar para onde vão entes queridos, sonhos e lembranças.
Admitir que somos capazes de destruir a natureza mesmo depois de mortos é algo impensável para a maior parte da população. Mesmo sabendo que já nascemos poluindo. Basta lembrar dos medicamentos usados no parto, do xampu que lavamos os cabelos, do detergente para lavar louça e do remédio que tomamos para a gripe.
Para realizar este livro-reportagem, visitamos cemitérios e literalmente pisamos em ossos para conhecer de perto a realidade daquilo que, até então, só havíamos ouvido falar ou lido nas poucas teses acadêmicas encontradas. O primeiro impacto foi assustador: ossos espalhados pelo chão, covas semi-abertas pela água da enxurrada, vestes funerárias espalhadas por toda parte, funcionários sem qualquer tipo de equipamento de proteção pessoal, mesmo durante o processo de exumação. A retirada das ossadas no Cemitério Municipal de Vila Nova Cachoeirinha, o 2º maior de São Paulo com 300 mil metros quadrados de extensão, inaugurado em 1.949, é feita em qualquer horário do dia, sob os olhos da população carente que utiliza o cemitério como atalho para chegar ao outro lado do bairro. Diante de tamanha falta de respeito à memória dos que ali estavam enterrados, às famílias, aos empregados, e ao meio ambiente, passamos, então, a olhar para o cemitério não mais como um lugar assustador, mas como uma fonte potencial de poluição.

INTRODUÇÃO

Prof. Dr. Alberto Pacheco - pesquisador da USP

O problema da contaminação do solo por cemitérios existe mas é pouco abordado na mídia. Talvez por isso se arrasta ao longo de tanto tempo, prejudicando diretamente os que não dispõem de informação e, indiretamente, toda a população que sofre com a proliferação de doenças infecto-contagiosas.
É constante a preocupação com o futuro da água potável no mundo e muito se fala sobre a economia e a preservação das fontes e recursos hídricos, cada vez mais escassos na humanidade. Rios, lagos e nascentes são o foco das discussões sobre a conservação do meio ambiente. Mas há outra importante fonte ameaçada: o lençol freático, responsável por 95% da água consumida no planeta.
O risco aumenta com falta de políticas ambientais e cuidados sanitários em cemitérios públicos. De acordo com a tese desenvolvida pelo Prof. Dr. Bolivar Antunes Matos, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo) o maior problema está nos cemitérios administrados pelos municípios, onde os sepultamentos ocorrem em covas rasas e diretamente no solo, sem qualquer tipo de proteção.
Em São Paulo, existem 14 cemitérios particulares e 23 públicos. Destes, 75% apresentam algum tipo de problema ambiental ou sanitário.
O Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo, é um exemplo de solo contaminado, falta de higiene e de condições sanitárias adequadas. Localizado ao pé da Serra da Cantareira, a formação geológica deste cemitério possibilita o escape do necrochorume para a superfície e para o lençol freático, prejudicando comunidades vizinhas.
Ao cavar poços irregulares nas proximidades desses cemitérios, a população carente que mora no entorno corre o risco de consumir água potencial-mente contaminada pelo necrochorume, segundo pesquisa coordenada pelo Prof. Dr. Leziro Marques.
Outro pesquisador da USP, Prof. Dr. Alberto Pacheco, detectou bactérias e vírus capazes de transmitir doenças como poliomielite, meningite e hepatite A, por exemplo, em amostras de água retiradas do solo do Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha.
Por força da fiscalização impulsionada pela resolução do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente –, os cemitérios particulares vivem uma realidade bem diferente, e já desenvolvem mecanismos de proteção aos mananciais. Atentas ao impacto ambiental e de olho no mercado fúnebre ecologicamente correto, funerárias investem cada vez mais no desenvolvimento de soluções para a contaminação do solo e do lençol freático. Alternativas viáveis que estão longe da realidade dos cemitérios públicos brasileiros.
Apesar das constantes campanhas e manifestações sociais e institucionais pró-meio ambiente, ainda há muito o que se fazer para proteger os recursos naturais.
Apesar de pouco divulgado, o problema é preocupante, já que 95% da água potável do mundo está no subsolo, segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – ABAS.
Os dados levantam uma polêmica: o que fazer para evitar que o corpo humano contamine fontes preciosas de água subterrânea após a morte?
Por outro lado, há quem conteste os resultados apontados. Enquanto não se chega a uma conclusão única sobre a real possibilidade de contaminação das águas subterrâneas, o mercado desenvolve alternativas para evitar que o líquido atinja o solo.

CAPÍTULO 1

A Contaminação

A cada dia se reconhece mais a importância do meio ambiente e a necessidade de economizar água e preservar a natureza. É cada vez maior a preocupação com a poluição dos rios e lagos no mundo todo. No entanto, há outra importante fonte que corre sérios riscos de contaminação: o lençol freático.
A localização e operação inadequada de necrópoles em meios urbanos podem provocar a contaminação de mananciais. E o estado precário de cemitérios municipais ameaça as águas subterrâneas, de acordo com pesquisa do Instituto de Geociências da USP. A situação é crítica, segundo o hidrogeólogo Leziro Marques Silva, que nos últimos 35 anos pesquisou mais de 900 cemitérios no Brasil e no exterior. O resultado da pesquisa é alarmante. “Desse universo de cemitérios pesquisados, de todos os municipais, 75% apresentam problemas de ordem tanto ambiental quanto sanitária.”
Em São Paulo, um exemplo é o Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte. Basta uma rápida visita e, em pouco tempo, um flagrante da total falta de cuidados. Há montanhas de entulho com pedaços de caixão, alças de caixão enferrujadas, pedaços de roupas funerárias. É possível observar covas recentes semi-abertas, já que a terra, em geral, é levada pela enxurrada.
Sem se identificar, um funcionário relata que as roupas de cadáveres e restos da exumação em contato com o solo são levados pelo serviço de limpeza para um aterro comum.
Sem luvas e sapatos adequados, o funcionário não demonstra qualquer preocupação com as condições sanitárias do cemitério. Perguntado sobre os cuidados com a higiene no local de trabalho e uso de equipamento de segurança (ele estava de chinelos) o funcionário dá uma explicação surpreendente. “A cachaça cura”, diz ele, demonstrando total despreparo e falta de conhecimento para lidar com o assunto.
Como a maior parte dos cemitérios públicos, o Vila Nova Cachoeirinha tem covas rasas, com menos de um metro de profundidade e é cercado por moradias populares e favelas. Sem cercas adequadas, o local serve como atalho para a população do entorno.
A estudante Luciana Barbosa, de 21 anos, atravessa o cemitério diariamente para chegar ao ponto de ônibus e já não se incomoda com os ossos e vestes fúnebres que encontra pelo caminho. A moradora conta ainda que os ossos espalhados pelo cemitério são usados em rituais de magia negra, praticada pela falta de segurança no local.
Luciana já não se assusta com o cemitério, mas com as atividades praticadas. “Na maioria das vezes que eu passo pelo caminho, vejo os caras tirando os ossos. É muito feio. Fede muito”, afirma, referindo-se às exumações feitas ao ar livre diante dos olhos da comunidade que passa diariamente pelo cemitério.
A estudante conta que as vestes funerárias são deixadas em qualquer lugar quando as famílias não as recolhem. “É muita falta de respeito. Eles não cuidam e deixam o jardim jogado. Os caras fazem ritual de macumbaria à noite, jogam várias roupas.”
O filme de terror vivido pela comunidade se agrava ainda mais em dias de chuva forte. Há quem se recorde, sem nenhuma saudade, do tempo em que o córrego que sai da área do Vila Nova Cachoeirinha inundava as casas na parte baixa do cemitério, com todo tipo de lixo funerário. Luciana recorda do caso em que um crânio desceu do morro do cemitério e foi parar no quintal da vizinha.
As famílias que moravam na favela foram trans-feridas para conjuntos habitacionais populares próximos ao cemitério. A solução municipal foi cavar valas para evitar que a água da chuva chegue até a comunidade.
O sepultamento de cadáveres data da pré-história, quando os homens enterravam os corpos da tribo por questões de segurança. O corpo exposto poderia atrair predadores. Pode-se adicionar aí o incômodo que um corpo humano em decomposição pode ocasionar.
Como a maior parte dos costumes, com o passar do tempo, o ato de enterrar se tornou um tabu, e foi inserido nas regras religiosas dos povos. Dois exemplos clássicos de que a prática tornou-se quase obrigatória foram os egípcios e os maias. Duas civilizações bastante distintas, mas para as quais o sepultamento era extremamente importante.
A palavra cemitério, derivada do grego kimitírion, significa “pôr a jazer” ou “fazer deitar”, o lugar onde se dorme, quarto, dormitório. Foi sob a influência do cristianismo que o termo tomou o sentido de “campo de descanso após a morte”. A partir do século 18, os sepultamentos, antes em templos religiosos ou hospitais, passaram a ser feitos ao ar livre, em cemitérios campais.
Por economia, é comum os municípios elegerem áreas de baixo ou quase nenhum valor de mercado para os sepultamentos. Geralmente terrenos grandes e íngremes em regiões mais afastadas do centro, ignorando a formação geológica e hidrogeológica.
E é aí que está o perigo. Com localização e manejo inadequados, os cemitérios podem atuar como fontes geradoras de impacto ambiental. A negligência em relação à conservação dos túmulos e o desprezo a espécies zoológicas como formigas e tatus, são possíveis contaminantes.
Mas os olhares se voltam à contaminação das necrópoles, às águas subterrâneas, explica o pesquisador de origem portuguesa, Alberto Pacheco, do Centro de Pesquisas das Águas Subterrâneas – CEPEAS.
Segundo ele, todo cemitério é um risco potencial. “Para que este risco seja controlado é preciso projetar adequadamente um cemitério, levando em conta os aspectos geológicos e hidrogeológicos e geotécnicos. Se isto não for feito, aquele risco potencial vai evoluir para um risco efetivo, e teremos, então, os impactos ambientais. E o principal impacto está naquela água subterrânea de menor profundidade, que é o aqüífero freático, aquele onde a temática ambiental está mais exposta à contaminação por parte dos cemitérios, não só dos cemitérios, mas também dos lixões, aterros sanitários e postos de gasolina”.
Aqüífero freático é o reservatório de água subterrânea. Depois de atingir a superfície da terra, uma parte da água da chuva se infiltra formando aquilo que é chamado de lençol d'água.
Há alguns anos, pesquisas apontam os cemitérios como importante fonte geradora de impacto ambiental.
De acordo com estudos do hidrogeólogo Leziro Marques, o cadáver humano pode pôr em risco a saúde dos vivos. “Porque o necrochorume é vertido pela matéria orgânica em decomposição, ele é rico em nutrientes que proliferam uma assembléia de vírus e bactérias, inclusive as bactérias patogênicas, que são as causadoras da maior parte dos óbitos. Se esse necrochorume escapa do túmulo, entra na circulação do lençol freático. Se você tem no caminho desse lençol freático um poço escavado, uma captação, uma fonte, uma pessoa que inadvertidamente consuma essa água, e se ela tiver com a imunidade natural baixa, ela pode ser acometida por uma dessas doenças infecto-contagiosas.”
Em 2001, outra tese de doutorado do Instituto de Geociências da USP apontou o problema. Sob orientação do Prof. Dr. Alberto Pacheco, o estudo avaliou a ocorrência e o transporte de microorganismos no aqüífero freático do Cemitério Municipal Vila Nova Cachoerinha, na Zona Norte da capital.
As suspeitas se confirmaram: os mortos são capazes de se tornar perigosos poluentes.

IMPRENSA / DEPOIMENTOS

Mortos, um risco ambiental

30 de outubro de 2009

Blog Estadão

20h38

Por Redação

Por Diego Zanchetta

Mortos, um risco ambiental

Os cemitérios representam um risco ambiental grave pouco discutido na mídia e pelas autoridades. Nem mesmo os “ecochatos” que ficam falando o tempo inteiro mesmices sobre contaminação de praias e destruição de florestam tocam no assunto. A verdade é que o necrochorume produzido pelos corpos pode contaminar um lençol freático e, dessa forma, criar um risco de contaminação – por exemplo, para prédios vizinhos que captam água em poços. Em São Paulo, a Justiça chegou a suspender em março deste ano a obra de um cemitério em Pirituba pelo risco de o empreendimento ser instalado próximo de uma área de preservação, o Parque do Toronto, na zona oeste.

Uma interessante publicação lança luz ao assunto ainda nebuloso. Os autores Fernanda Felicioni, Flavio Andrade e Nilza Bortolozzo alertam para a negligência na operação de cemitérios públicos e privados no livro A Ameaça dos Mortos. A população de baixa renda que faz perfurações em poços artesianos é a mais ameaçada com a falta de controle sobre a destinação dos cadáveres humanos. O livro fala também sobre uma pequena cidade do Paraná que se tornou o primeiro município brasileiro a adotar o sepultamento ecológico. Vale conferir até pela novidade do assunto.

Cemitérios de São Paulo enfrentam problemas de contaminação

Nayara Reynaud (iG)



A Câmara dos Vereadores de São Paulo está preocupada com a situação dos cemitérios da capital, pois nenhum dos 40 (19 públicos e 21 particulares) que existem na cidade possui licença ambiental concedida pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e a Prefeitura. O problema é que as substâncias geradas pela decomposição dos cadáveres podem contaminar o subsolo e o lençol freático nesses locais.

Os vereadores instauraram uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Nesse primeiro momento, os parlamentares dão mais atenção aos cemitérios Parque dos Pinheiros, na zona norte, e Parque dos Girassóis, na zona sul, porque ambos estão em Áreas de Proteção Permanente, locais de preservação ambiental onde nenhum empreendimento do gênero deve ser construído.


De acordo com dados da Cetesb, os que exigem mais cuidados são os públicos, em especial os da Vila Formosa e Vila Nova Cachoeirinha, que estão sob suspeita de contaminação desde 2006. A assessoria de imprensa do Serviço Funerário declarou que a Cetesb está acompanhando o caso, por meio de levantamentos e dados, "para ver se realmente há contaminação, o que não foi comprovado."


Todos os cemitérios de São Paulo têm até 31 de dezembro deste ano para apresentar um relatório de avaliação ambiental à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Além disso, eles devem propor um plano de adequação à resolução vigente do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) sobre os dispositivos de segurança para monitorar o lençol freático do local.

Contaminação funerária


A decomposição dos corpos produz uma substância líquida, chamada necrochorume, que é composta por microorganismos infecciosos, como bactérias e vírus. Calcula-se que cada cadáver libere, em média, 200 ml de necrochorume por dia, durante, pelo menos, seis meses. Segundo Alberto Pacheco, professor da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador do CEPAS-USP (Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas), quando o líquido entra em contato com o lençol freático, por conta de "rachetas" (rachaduras), ele pode se espalhar e afetar quem vive nas proximidades, principalmente por meio de poços artesianos da região.


"Há casos históricos (...) na Europa", diz o hidrogeológo, relembrando os surtos de febre tifóide ocorridos em Berlim, na Alemanha, e Paris, na França, durante a década de 1970. Ele também enfatiza que, além da febre tifóide, a febre paratifóide e a hepatite infecciosa, essencialmente a hepatite A, são exemplos de doenças causadas pela contaminação do necrochorume.


Para Alberto Pacheco, são necessários projetos de construção ou adaptação de cemitérios, baseados em estudos de geotecnia, com o enfoque nas características do solo e na profundidade das águas subterrâneas. De acordo com o professor, o solo deve ter capacidade de filtrar as bactérias e absorver os vírus. Afirma ainda ser fundamental, durante os sepultamentos, manter uma distância mínima de 1,5m do lençol freático, "para evitarmos qualquer possibilidade de contaminação."


A jornalista Fernanda Felicioni, autora do livro "A Ameaça dos Mortos – Cemitérios põem em risco a qualidade das águas subterrâneas", diz que alguns especialistas apontam a cremação como uma alternativa para esse problema e o da superlotação nos cemitérios, mas isso esbarra em questões culturais e religiosas.

Devido há falta de jazigos houve um aumento no uso dessa técnica nos últimos anos, porém, isso ainda representa uma parcela mínima no total de pessoas mortas. "No entanto, é preciso lembrar que a cremação também polui o meio ambiente, no caso o ar", afirma a jornalista, alegando que a maior parte dos crematórios utiliza sistemas avançados de filtragem da fumaça, justamente para tentar reduzir os gases do efeito estufa.

Funeral verde


Em vários países, novos métodos são desenvolvidos para uma destinação mais ecológica de cadáveres humanos. No estado norte-americano da Califórnia, há um projeto de lei, do deputado republicano Jeff Miller, que visa permitir a utilização de uma tecnologia funerária menos poluente. Em vez da cremação, é feita a hidrólise alcalina, um processo químico que dissolve os corpos e, por isso, reduz a emissão de gases do efeito estufa.


Já o freeze-dry, utilizado na Suécia desde 2005, é considerado uma das alternativas mais corretas do ponto de vista ecológico. A técnica consiste em congelar e desidratar o cadáver por meio da utilização de nitrogênio líquido a -196°C, transformando o corpo em pó após um processo de vibração. Esse pó é colocado em uma caixa feita de amido de milho ou batata, em cova rasa, para o plantio de uma árvore, a fim de que sejam aproveitados todos os nutrientes e não reste nenhum resíduo, dentro de seis meses a um ano.



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O Livro "A ameaça dos mortos" aborda um tema pouco comentado na sociedade, o que o torna uma referência bibliográfica de muita importância. O livro mostra o descaso das autoridades com assunto, o problema da contaminação dos cemitérios e que quem mais sofre com isso é a população, por tanto, ele se torna uma grande fonte de informação e realidade sobre os contaminantes ambientais. Em particular, gostaria de dizer que este livro foi uma das minhas salvações, pois foi com ele que completei meu trabalho de conclusão de curso; por isso acho que sou supeita a falar, porque eu adorei o livro. Parabéns aos autores e que nos gratifiquem com mais trabalhos maravilhosos como este.

Um grande abraço,

Márcia C. Kravetz
Gestora Ambiental

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A AMEAÇA DOS MORTOS
Cemitérios põem em risco a qualidade das águas subterrâneas

Publicação: novembro de 2007
Nº de páginas: 68
Formato: 14x21 cm
Encadernação: Brochura
ISBN: 978-85-907124-2-8
Editora: Maxprint
Autores:Fernanda Felicioni, Flavio F. A. Andrade, Nilza Bortolozzo